Apresentação
Pioneiro no sistema agroecológico em Porto Alegre

Juca plantando mudas de moranguinho entre as alfaces
O produtor rural Eliseu Rosa da Silva, mais conhecido como tio Juca, 67 anos de idade, adotou a agroecologia há 15 anos: “É uma pena não ter começado antes”. Mas acredita que nunca é tarde para começar. E hoje é exemplo de agricultor que mostra como é possível produzir alimentos sem agrotóxicos ou adubos químicos.
Juca, que é agricultor desde criança, conta que não usavam venenos nas plantações. Somente a partir do final dos anos 60 é que começou a se usar agrotóxicos e adubos químicos. “Quem não usava, não colhia nada. Só depois foi crescendo a consciência que eu estava contaminando o ambiente, a mim próprio, a família e o consumidor também”.
A mudança difícil
A fase da transição para quem quer entrar no sistema orgânico não é fácil, exige muito apoio e persistência. Então através da Emater, recebeu a assistência técnica por dois anos, acompanhando toda a transição. “É muito difícil a mudança, pois quando se muda, o solo não responde. No mínimo se leva dois anos para o solo funcionar,” explicou.
Na época, ele foi o único agricultor a mudar para o sistema ecológico, hoje já são 40 famílias na zona sul de Porto Alegre.
Juca cultiva verduras, frutas e legumes numa área de 7.000m², equivale a um terço de hectar. “O que mais me ajuda é a biodiversidade. Se você olhar aqui, vai encontrar no mínimo 20 espécies de plantas na área em que eu trabalho. Considero a minha horta como um bufett de saladas. No solo há milhares de microorganismos trabalhando, então eu tenho um consórcio com a natureza. Eu pratico e vivo a natureza.”
O importante é a qualidade

Na feira agroecológica da Redenção
A comercialização dos alimentos produzidos no sítio são feitos na feira agroecológica da av. José Bonifácio no Bairro Bom Fim. “Consumidor é o nosso melhor fiscal, pois a diferença está no sabor e na qualidade.” Se produzisse o dobro, ainda teria mercado para vender tudo. “No sistema ecológico o que importa é a qualidade.” salientou.
Além disso, em torno de 30% da produção da propriedade é transformado em pastas, geléias, doces que são vendidos ou degustados pelos visitantes que chegam no sítio.
Turismo rural
A propriedade faz parte do destino turístico Caminhos Rurais e recebem visitas, principalmente das escolas de Porto Alegre. “É um trabalho que nós fazemos com muito gosto”. As crianças têm muita curiosidade em saber de onde vem as verduras e os legumes. Há também muitos estudantes de universidades que vão fazer pesquisas.
Para o tio Juca, todo o dia é um aprendizado. “Enquanto estamos em busca de melhoramento, se tem vontade de trabalhar. Por isso quero estar sempre aprendendo mais.”
Texto e fotografias de Simone Moro simoneprisma@gmail.com


muito legal
muito legal mesmo, se todos planta-se assim (sem veneno)muitas doenças poderiam ser evitadas.
Que trabalho interessante, ao acaso encontrei esse blog na internet e passei a ler suas postagens. Se existisse o o apoio e a iniciativa dos orgãos governamentais em outras regiões do nosso Brasil, a agricultura orgânica seria mais praticada. Nesse caso existiu o apoio da Emater a família do tio juca, o que é muito precário na maior parte do Brasil. Um lindo trabalho, parabéns!